PARA ALÉM DA VISÃO: MÉTODO MULTISSENSORIAL PARA ESTUDOS DE PAISAGEM EM RIOS URBANOS

Nome: LIDIANE ESPINDULA

Data de publicação: 04/03/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
CLARA LUIZA MIRANDA Examinador Interno
ENEIDA MARIA SOUZA MENDONCA Presidente
LETICIA PERET ANTUNES HARDT Examinador Externo
LUCIA MARIA SÁ ANTUNES COSTA Examinador Externo
VLADIMIR BARTALINI Examinador Externo

Resumo: Esta tese tem como temática central a relação entre paisagem, rios urbanos e sentidos,
explorando como a percepção sensorial, para além da visão, pode contribuir para o estudo de
paisagens urbanas, demonstrando a importância dos outros sentidos. Os rios, historicamente
estruturadores das cidades, passaram a sofrer degradações e ocupações que não apenas
alteraram sua configuração física, mas também impactaram a experiência cotidiana da
população. Nessa perspectiva, a paisagem é entendida como as relações entre o ser humano
e o ambiente, envolvendo elementos visuais, sonoros, olfativos, táteis e emocionais,
vinculados à história, à cultura e à identidade territorial. O objetivo geral é contribuir com
Método de Análise e Construção da Paisagem Urbana (Mendonça, 2005; Mendonça e Pereira,
2005), explorando sentidos e sentimentos para além da visão, a fim de propor um método
multissensorial para o estudo da paisagem. Os objetivos específicos incluem analisar como a
percepção sensorial contribui para a interpretação da paisagem, reconhecer os valores
atribuídos aos rios urbanos e aplicar o método ao Rio Manhuaçu, em Manhuaçu/MG, como
exemplo de território marcado pela ocupação ribeirinha. A abordagem foi estruturada em
quatro frentes principais: primeiramente, realizou-se uma pesquisa teórico-conceitual com
fundamentação em autores referenciais como Duarte et al. (2023), Yi-Fu Tuan (2015), Besse
(2014), Gorski (2010), Costa (2006), Pallasmaa (2005), Okamoto (2002) e Merleau-Ponty
(1994). Em seguida, aplicou-se o Knowledge Development Process – Constructivist (ProKnowC) para seleção e análise sistemática de artigos de 2012 a 2023, resultando em bancos de
dados e revisões temáticas que auxiliaram a compreensão de métodos relacionados à
paisagem e aos rios urbanos. A terceira etapa consistiu em uma análise comparativa de
trabalhos que aplicaram o método de Mendonça, identificando potencialidades e lacunas
relacionadas aos sentidos. Por fim, aplicou-se um método multissensorial – combinando
entrevistas semiestruturadas, registros fotográficos, análise de textos literários,
mapeamentos sensoriais e afetivos, articulados em etapas que integram percepções
individuais, coletivas e memória social – em trechos do Rio Manhuaçu, com ênfase nas áreas
de maior densidade urbana. A aplicação revelou que as transformações na paisagem afetam
diretamente a percepção e a valorização dos rios, comprometendo não apenas sua estética
visual, mas também a experiência sensorial e afetiva. Os mapas confirmam que a visão não
pode ser o único sentido considerado na leitura da paisagem, cuja compreensão se amplia
quando considerados os diversos sentidos. A variedade de registros referentes aos sentidos e
sentimentos evidencia a complexidade dessa relação e demonstra que esta tese contribui para
ampliar a compreensão dos vínculos entre população e território a partir de uma experiência
multissensorial, ressaltando a importância dos diferentes sentidos, além da visão, na
percepção da paisagem.

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