Cidade média e particularidades regionais: a resiliência de Colatina no Norte do Espírito Santo
Nome: RÔMULO CROCE
Data de publicação: 05/12/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| CLARA LUIZA MIRANDA | Examinador Interno |
| ENEIDA MARIA SOUZA MENDONCA | Presidente |
| GIOVANILTON ANDRÉ CARRETTA FERREIRA | Examinador Externo |
| MARIA ENCARNAÇÃO BELTRÃO SPOSITO | Examinador Externo |
| ROBERTO LUÍS DE MELO MONTE-MÓR | Examinador Externo |
Resumo: A presente tese se insere no esforço de compreender como cidades médias, situadas
em regiões economicamente periféricas, sustentam suas centralidades regionais,
bem como as reverberações territoriais desse processo, tomando como estudo de
caso a cidade de Colatina (ES). Parte-se da hipótese de que essa centralidade é
sustentada por um processo contraditório, em que interações multiescalares, a
urbanização extensiva e as heranças territoriais consolidam o papel de Colatina como
cidade média, ao mesmo tempo em que aprofundam desigualdades e assimetrias
regionais. A investigação adota o método do estudo de caso, com abordagem
qualitativa e multiescalar, articulando procedimentos historiográficos, pesquisa
bibliográfica e documental, entrevistas com agentes-chave, observações de campo e
produção cartográfica georreferenciada. O recorte temporal abrange do final do século
XIX à contemporaneidade, com ênfase nos efeitos do novo ciclo de investimentos
instalado no Espírito Santo a partir dos anos 2000. A análise é sustentada por três
principais categorias teóricas: formação socioespacial, cidades médias e urbanização
extensiva, as quais permitiram interpretar a complexidade do processo urbanoregional que envolve Colatina. Os resultados da pesquisa revelam que a sustentação
da centralidade de Colatina, mesmo em um contexto economicamente periférico e
fora dos principais circuitos econômicos estaduais, está profundamente enraizada em
dois eixos principais: (i) nas heranças históricas de sua formação socioespacial, que
legaram à cidade uma posição estratégica e um protagonismo regional duradouro; e
(ii) nas relações multiescalares que articulam Colatina a redes urbanas e econômicas
próximas e distantes, para além de sua região imediata. Tais aspectos se manifestam
na capacidade de ressignificação de elementos técnicos e infraestruturais legados de
ciclos econômicos anteriores — como a ferrovia, a ponte sobre o rio Doce, a estrutura
fundiária cafeeira e a posição de entreposto comercial —, assim como nas conexões
históricas com municípios de sua hinterlândia, os quais mantêm com Colatina relações
simbólicas, culturais e funcionais forjadas ao longo do tempo. A análise identificou que
Colatina articula uma centralidade sustentada por um processo dialético entre captura
regional — marcada pela concentração de equipamentos e serviços especializados,
pela operacionalização extensiva do território e pela consolidação de sistemas
urbano-regionais produtivos — e inserções seletivas em circuitos de maior
abrangência. A resiliência de Colatina se dá, portanto, pela capacidade de articular
escalas, mobilizar forças endógenas e reinventar seu papel regional diante de crises
e transformações. Essa lógica permite à cidade conformar uma centralidade regional
resiliente, ainda que tensionada por conflitos territoriais, assimetrias e dinâmicas
excludentes. Tal realidade aponta para os limites da resiliência de cidades médias em
contextos não hegemônicos e reforça a necessidade de políticas de planejamento
integradas, que promovam o fortalecimento das redes urbanas regionais a partir de
perspectivas emancipadoras e da produção de um espaço regional mais equânime.
