Uma Pequena África que a Sapucaí cantou: a história da cidade narrada pelo carnaval
Nome: WESLLEY BARCELOS DO NASCIMENTO
Data de publicação: 20/10/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| CLARA LUIZA MIRANDA | Presidente |
| GENILDO COELHO HAUTEQUESTT FILHO | Examinador Externo |
| MARTHA MACHADO CAMPOS | Examinador Interno |
Resumo: O carnaval carioca, desde suas origens, constitui-se como espaço de expressão cultural e elaboração de múltiplas narrativas, entre elas as histórias da cidade e de sua
gente. A cada desfile, memórias são evocadas, episódios são recontados e novos
sentidos são produzidos, combinando o lirismo da criação artística ao compromisso
coletivo de manter vivas tradições e histórias. É nesse contexto que se insere esta dissertação, que investiga de que forma os desfiles das escolas de samba que passam
pela Marquês de Sapucaí narraram a história da região simbólica conhecida como
Pequena África. Situada na Zona Portuária do Rio de Janeiro, essa área engloba os
bairros da Saúde, Santo Cristo, Gamboa e parte do Centro, configurando-se como
território de memória, resistência e reinvenção cultural. A pesquisa toma como fonte
principal os Livros Abre-Alas disponibilizados pela Liga Independente das Escolas de
Samba (LIESA), complementados por vídeos das transmissões, registros fotográficos
e letras de sambas, compondo um corpus capaz de reconstituir a narrativa proposta
por cada agremiação. A metodologia combina pesquisa documental e bibliográfica,
utilizando os matérias gerados pelas escolas de samba como fonte da narrativa e o referencial teórico como complemento e base para estruturar a narrativa. O estudo não
busca estabelecer verdades históricas, mas compreender como as escolas de samba
reinterpretam o passado de forma lúdica, poética ou crítica, ressignificando episódios
e lugares como, por exemplo, o Cais do Valongo, o Cemitério dos Pretos Novos, Pra-
ça onze, entre outros. Os resultados indicam que os desfiles recriam simbolicamente
a experiência da diáspora africana, transformando dor e resistência em alegorias que
reafirmam a presença negra na formação do Rio de Janeiro. Conclui-se que o carnaval é um potente instrumento de preservação e reinvenção cultural, funcionando como
espaço de memória, de crítica social e de educação coletiva, permitindo que as vozes
da Pequena África continuem ecoando na Avenida e na cidade.
