O Ciclo Tdr Como Instrumento Analítico-representacional para um Desenvolvimento Local: Experimento Metodológico na Vila de Itaúnas/es

Nome: Maisa Mazzini
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 20/09/2021
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Renata Hermanny de Almeida Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Liziane de Oliveira Jorge Examinador Externo
Marcos Aurélio Saquet Examinador Externo
Maria Isabel Sobral Escada Examinador Externo
Renata Hermanny de Almeida Orientador

Resumo: As discussões epistemológicas no estado da arte acerca do desenvolvimento local têm
exposto a categoria do \\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\"patrimônio territorial\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\" como conceito e instrumento de planejamento,
criado por Alberto Magnaghi e difundido pela Escola Territorialista Italiana, desde a década
de 1990. A abordagem territorialista propõe o “retorno ao lugar” por meio da representação e
planificação, e parte da compreensão do território, e dos sedimentos que o compõem,
enquanto patrimônio. Partindo da análise e da síntese dos ciclos de territorialização,
desterritorialização e reterritorialização (ou Ciclo TDR), é possível identificar a permanência
de sedimentos materiais e cognitivos conformadores de “invariantes estruturais” -ou seja, a
relação de bens estruturantes das identidades locais e que resistem ao longo do tempo. Com
efeito, o Ciclo TDR compreende o percurso de transformação da natureza em território,
através de ações antrópicas territorializantes (Territorialização), os eventos e agentes que
causam rupturas e perturbações nos arranjos socioespaciais (Desterritorialização) e as suas
recriações (Reterritorialização). A despeito da extensão conceitual, nota-se no planejamento
contemporâneo uma compreensão parcial e uma segmentação do patrimônio, dissociado em
duas dimensões distintas - a Natureza e a Cultura -, baseadas em modelos de
desenvolvimento insustentáveis legados de uma abordagem funcionalista-reducionista.
Ainda, o planejamento contemporâneo tem servido de subsídio aos interesses do capital e de
determinadas classes dominantes, contribuindo para o processo de produção capitalista do
espaço e irrompendo ciclos subsequentes e concomitantes de “desterritorialização alargada”.
Como resultado, tem-se a transgressão do valor patrimonial a um valor de troca, pressupondo
a exploração e exaurimento dos recursos territoriais. Neste contexto reflexivo, encontra-se a
Vila de Itaúnas, sede do distrito do município de Conceição da Barra (ES). A máscara do
capital aqui se apresenta na especulação imobiliária e no turismo exploratório, intensificando
o processo de gentrificação da população nativa local. A problemática se agrava na escala
macro: é possível observar no entorno da vila, e por toda porção do extremo norte do Espírito
Santo, a territorialização de atividades industriais agropecuárias e de monoculturas de
eucalipto em grandes extensões. Sob o par temático “Patrimônio” e “Planejamento”,
articulando às questões do Desenvolvimento, o estudo tem como objetivo geral estabelecer
premissas para o desenvolvimento local da Vila de Itaúnas, com base na retomada de seus
valores territoriais-patrimoniais, na perspectiva de contribuir em ações estratégicas de
planejamento. Como objetivos específicos, tem-se: a) produzir investigação histórica,
subsidiada por aparato conceitual crítico, do processo de produção territorial da Vila de
Itaúnas; b) estabelecer metodologia para elaboração do Ciclo TDR; c) realizar o Ciclo TDR da
Vila de Itaúnas; d) delinear questionamentos quanto aos níveis de insustentabilidade da vila.
Define-se percurso metodológico pautado em uma híbrida abordagem entre métodos
empírico-descritivo-qualitativo, tendo como cerne a leitura histórico-relacional do território: i)
formação de embasamento conceitual acerca de território, da produção do espaço/território;
de patrimônio, de recursos territoriais, de territorialização, de desterritorialização, de
reterritorialização e de desenvolvimento local; ii) análise, apuração e construção de método
descritivo-analítico-representativo para elaboração do Ciclo TDR; iii) sistematização de
materiais, documentos, informações geográficas e estatísticas, iconografias, relatórios, etc.,
por meio de pesquisa documental-bibliográfica; iv) aproximação e entendimento espacial de
fenômenos através da elaboração de mapas, sob tratamento de dados georreferenciados
disponibilizados por diversas instituições; v) levantamento de campo, mapeamento in loco,
registro fotográfico, observação da área territorial, realização de entrevistas e organização de
relatos e histórias de vida; vi) organização, análise e síntese dos dados e materiais
coletados/elaborados para estruturação do Ciclo TDR da Vila de Itaúnas e para proposição
de premissas. Tem-se, como produto final, uma coletânea acerca do objeto concreto e seu
presente/passado, com o intuito de compreender as problemáticas que o envolvem, para
assim auxiliar processos de transformações sustentáveis futuras.

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