CARTOGRAFIAS da Alegria: a Interação da Cultura Afro-brasileira Com As
ruas da Cidade de Alfredo Chaves-es

Nome: Roberta Casteglione Bettcher
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 23/09/2021
Orientador:

Nome Papelordem decrescente
Milton Esteves Junior Orientador

Banca:

Nome Papelordem decrescente
Ruth de Cássia dos Reis Examinador Externo
Clara Luiza Miranda Examinador Interno
Milton Esteves Junior Orientador

Resumo: A partir da imersão etnográfica no bairro Macrina, um território negro da cidade de
Alfredo Chaves-ES, é possível notar que a alegria das festas caracteriza essa
comunidade e mantém vivos os saberes afro-brasileiros, mesmo com a prevalência
da cultura europeia neste contexto urbano. O cenário de onde emergem essas
manifestações coletivas é um morro serpenteado por ruas sinuosas e estreitas,
becos e vielas, com as casas justapostas em faixas que circulam e acompanham a
topografia, é uma assimetria ao padrão arquitetônico e urbanístico, hegemônico e
europeu, e este padrão, segundo Sodré (2019), também é um meio de reforçar o
domínio cultural em um território. O distanciamento do negro pela segregação
territorial, no final do século XIX, era uma prática recorrente nas cidades brasileiras,
havia o estímulo do Estado à imigração de colonos europeus no mesmo espaçotempo em que a abolição dos negros escravizados tornava-se efetiva. A própria
narrativa de Pessali (2010) sobre Alfredo Chaves, ressalta uma visão branca que
legitima uma única etnia (a dos italianos) na construção da cidade e inclui os negros
apenas em recortes sobre a precariedade urbana e sobre as festas do bairro
Macrina. O interesse é trazer outras narrativas dessa territorialidade, pelo viés
cultural e urbano, com a participação ativa nas ruas durante as festas. Pela
investigação etnográfica das ações culturais coletivas do bairro Macrina, que
territorializam a cultura afro-brasileira em solo alfredense, é que se dá a pesquisa de
três festas: a festa de São Benedito, a festa de Nossa Senhora Aparecida e o
Carnaval. Elas convergem para o tema religioso, pois seguem o calendário litúrgico
católico, mas o interesse principal é no protagonismo das ruas nessas festividades.
O limiar tênue entre o sagrado e o profano, e entre os espaços públicos e privados,
o culto aos santos negros, o jongo e o congo de São Benedito, e os personagens
mascarados do carnaval (Zé Pereiras), são manifestações que singularizam o bairro
Macrina no contexto urbano de Alfredo Chaves. Ao observar as dinâmicas das
festas nas ruas da cidade, é possível traçar representações gráficas do movimento
festivo, cartografias da alegria, uma maneira de refletir sobre o papel político da
cultura afro-brasileira como propulsora de territórios comuns urbanos.

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