RELAÇÕES Entre Espaço Urbano e Cursos D’água: Conflitos e Interações no Vale do Rio Doce

Nome: Romulo Croce
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 26/03/2020
Orientador:

Nomeordem crescente Papel
Eneida Maria Souza Mendonça Orientador

Banca:

Nomeordem crescente Papel
Lúcia Maria Sá Antunes Costa Examinador Externo
Eneida Maria Souza Mendonça Orientador
Andre Luiz Nascentes Coelho Examinador Externo

Resumo: Ao longo da história, a interação entre cidades e cursos d’água sofreu significativas
alterações, que culminaram, junto aos processos de industrialização e urbanização
extensiva, em uma relação conflituosa. A pesquisa tem como objeto empírico de estudo
o Vale do Rio Doce, uma região de inestimável riqueza ambiental, social e cultural, em
que a ocupação do território, segundo uma lógica de exploração e exportação de
commodities, foi responsável por intensas degradações socioambientais e por alterações
na relação entre as cidades e seu principal rio, destacando-se o distanciamento. Por meio
desse modelo de ocupação, o rio foi visto como mero recurso a ser explorado para
obtenção de lucros e como obstáculo à expansão das cidades. Entende-se que a
compreensão das múltiplas facetas que permeiam a produção do espaço fluvial, é
fundamental para o estabelecimento de medidas que visem reaproximar cidades e rio.
Desse modo, o objetivo principal do trabalho é compreender os impactos do processo de
urbanização na relação entre espaço urbano e fluvial, assim como seus conflitos e
interações, por meio de estudo socioeconômico, em escala regional, e de análise do
tecido urbano, em escala local. A metodologia envolve estudos sobre o tema e a história
da região, avaliação de legislações, confecção de mapas temáticos, exame de
fotografias, levantamento de dados socioeconômicos, visita de campo e
desenvolvimento de metodologia de seleção de municípios relevantes para
aprofundamento dos estudos. Para análise socioeconômica, em escala regional, foram
utilizadas técnicas de geoprocessamento e de cartografia manual, visando a produção de
mapas temáticos. Além disso, para análise da relação entre espaços urbanos e fluviais,
em escala local, foi adotado o método de Souza (2015), por meio da abordagem da
forma de inserção das orlas fluviais na cidade, relacionando-as com três categorias de
análise, a saber: permeabilidade do solo, setores sociais e econômicos, e estrutura do
tecido urbano. Constatou-se que os municípios que compõem a região são
extremamente desiguais, do ponto de vista social e econômico, refletindo em distintos
impactos negativos no espaço fluvial do Vale. Enquanto em municípios de maior porte,
um dos problemas mais relevantes registrados foi a extensiva ocupação e
impermeabilização destes espaços, nos municípios de menor porte, mostrou-se
preocupante a ausência de legislação, que, somadas ao decréscimo populacional e ao
crescimento de cidades em sentido oposto ao curso d’água, podem resultar em situação
de distanciamento social e afetivo. Além disso, observou-se que as margens dos rios que
compõem a rede hidrográfica principal do Vale, em geral, são desprivilegiadas em meio
ao tecido urbano, por processos semelhantes em todos os municípios analisados, como
privatização, degradação ambiental, desarticulação física e visual, e tratamento
inadequado pelo aparato legislativo. Também foram identificados processos singulares,
como a interferência de malha ferroviária na conexão com o rio; ausência de articulação
paisagística; e interferência da lama de rejeitos da Samarco no cotidiano e nos processos
de ocupação do espaço fluvial. Essas condições, somadas à ausência de espaços livres
de uso público de qualidade às margens do Vale do Rio Doce, impedem sua
recuperação e valorização enquanto patrimônio socioambiental.

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